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Arquivo mensal: outubro 2011

The Kills

The Kills / Crédito: http://www.ihateflash.net

 

Tá aí uma banda de considerável peso. Lembro de ter dito durante a semana que passou para um colega (coxinha) de faculdade que iria ver o The Kills e emendei dizendo que “ninguém conhece”, quando uma colega mais antenada me interpelou dizendo que conhece. Na porta do Circo Voador, conversando com uma amiga, ela disse que ninguém conhece The Kills e discordei. Questão de perspectiva – para a galera mais ligada, The Kills é quase uma unanimade, com a qual nunca me liguei e a síndrome de underground (que eu reconheço ter) talvez explique isso.

O show da dupla formada pelas figuras ímpares de Alison Mosshart e James Hince, “VV” e “Hotel” para os íntimos, foi uma ótima oportunidade para tirar impressões definitivas sobre a banda. No popular, foi a vera. E a sensação que me ficou é a de que a banda se limita muito a uns poucos timbres e fazem “variações sobre o mesmo tema”- muito barulho e pouca criatividade.

Mas a preferência musical não serve de argumento para tirar o mérito da apresentação, mais uma viabilizada pelos cariocas empolgados através do Queremos. Um dos motes citados pelas mentes por trás do projeto de crowdfunding é a idéia de criar uma cultura no Rio de Janeiro de se assistir shows sem necessariamente ser fã da banda. E muita gente embarcou nessa idéia, mas no show do The Kills em especial a tendência do público foi diferente.

Mesmo shows que lotaram mais não tinham fila de gente esperando para entrar, o que ocorreu neste caso. Foi inevitável pensar num primeiro instante “Nossa! Tem fãs aqui!” para depois lembrar que isso é algo normal. E foi um pessoal que agitou bastante o show, e se engajou, com direito a balões pretos durante Black Baloons.

Show muito bem produzido, extremamente bem executando. A dupla não deixa na mão na hora de executar as faixas, Alison se entrega no palco demonstrando muita energia, mas o destaque fica por conta de Jamie. Mais contido que a colega, mas sem medo nenhum de interagir com o público e tirando aquela onda de quem empunha uma guitarra com a maior naturalidade.

No final das contas, minhas reticências com o som da banda continuam, mas o respeito aumentou muito diante de uma apresentação impecável.

O que me motiva a este post é a controversa coluna do Álvaro Pereira Junior e também toda a repercussão em torno da mesma – aqui e aqui também.

A idéia de que falta crítica musical no Brasil me parece ser consenso. Se houver crítica musical, ela mal ecoa, e talvez seja justamente pelo apontado de haver muita camaradagem. Do mesmo jeito que desgraça vende mais jornal que notícia boa, uma crítica negativa instiga mais a se escutar um artista do que loas em excesso.

O problema começa quando nosso amigo jornalista tenta politizar a análise e se enrola todo, aparentemente por uma questão que tem muito mais a ver com preferência partidária do que por uma análise realmente focada nas necessidades de uma cena artística.

Como numa das reportagens linkadas no começo do texto, o jornalista Jotabê Medeiros lembra da Invasão Sueca, evento promovido anualmente pela embaixada da Suécia no Brasil com a finalidade de divulgar artistas do reino escandinavo por aqui. Lulismo sueco, é isso?

Não entrarei no mérito dos cachês, pois desconheço a realidade e as versões são contraditórias. Mas shows a preços populares bancados por impostos, qual o problema disso? Nada mais justo que parte do que pagamos em impostos volte sob a condição de facilitar nosso acesso a espetáculos culturais, além de divulgar artistas que também são contribuintes, dando-lhes mais chances de encontrarem meios de se sustentar com seu trabalho. Sem falar em ajudar a estruturar nomes que podem se projetar e depois mostrar o Brasil lá fora – o que faz parte daquilo que qualquer um que estude relações internacionais, meu caso, conhece como soft-power, que conta bastante. Além do fato de que temos leis de incentivo a cultura, que nem sempre são usadas como se deveria, mas não é o caso para me estender aqui.

Não questiono que os Criolos e Jenecis da vida não tragam nada de inovador, apesar de que às vezes vejo certas obsessões com a inovação que me parecem exageradas. Do mesmo jeito, como em outro texto que já citei aqui, fica uma impressão de que são nomes sustentados de forma muito artificial. Mas aí a gente olha pra fora do panorama alternativo – será que dá pra abaraçar Restart, Luan Santana e afins como inovadores como se apregoa na crítica do Álvaro Pereira?

Aí chegamos em outro ponto. Enquanto a música independente no Brasil parece viver num estamento à parte, até que ponto ela recebe incentivos para ir além? Durante o VMB da consagração de nomes como Criolo, Rick Bonnadio despejava críticas, alegando que “a premiação não respeitava a vontade popular” [sic], e que estes artistas “não vão ser lembrados daqui a cinco anos”. Vamos para o clássico dilema de Tostines – É conhecido por que criticam muito ou criticam muito por que é conhecido? Convenhamos que faz mais sentido descer a lenha em quem é mais repercutido do que “bater em cachorro morto”. Até que ponto existe o interesse de quem pode repercutir em dar espaço para a melancolia de “Não Existe Amor em SP” em detrimento de canções com maior apelo comercial aparente?

Por mais que o argumento seja válido, é de se ressaltar também que é fácil falar da (falta de) crítica para a música brasileira e ficar comparando Editors com Interpol.

Quem dá o “namastê” e apresenta a montanha-russa, digo, pista é o piloto da Red Bull Mark Webber.

Apesar de o miolo me lembrar Yeongam e o traçado como um todo ser a cara de Aida, a pista parece interessante. O que não significa garantia de corridão. Provavelmente teremos muitas ultrapassagens fáceis via DRS na reta oposta.

O que eu mais tenho curiosidade para ver, admito, é se o layout ao redor da pista vai chegar perto do que é na animação, ou vai ser aquele matagal pretensa-metrópole da pista coreana.

Cut Copy no Circo Voador

Produção caprichada para o Cut Copy - Créditos: Bira David/Partybusters

Sábado, 22 de Outubro de 2011 e o Cut Copy fez sua aguardada apresentação no Rio de Janeiro no Circo Voador.  Os australianos eram esperados não só pela inédita apresentação em terras brasileiras, também por estarem a todo vapor, tendo lançado este ano o álbum Zonoscope, além do fato que o show estava marcado para Abril, mas por conta dos transtornos causados pelo vulcão chileno Puyehue, acabou sendo cancelado bem como o restante da turnê brasileira.

Não sou entendido em Cut Copy, só conheço pra valer Hearts on Fire e Drop The Bomb, uma faixa que eu já sabia que dificilmente entraria no setlist, e não entrou. O setlist acabou privilegiando as faixas de Bright Like Neon Love e In Ghost Colours, deixando o mais recente Zonoscope um pouco de lado, o que se provou acertado diante da recepção morna do público para as faixas do álbum mais recente.

Dan Whitford é um frontman com boa presença de palco e literalmente suou a camisa para entreter o público. O guitarrista Tim Howey demonstrava também muita empolgação, especialmente nas faixas em que ajudava na percussão.

Banda suou a camisa literalmente - Créditos: Bira David/Partybusters

Mas se por um lado havia competência e empolgação, por outro o show acabou sendo notadamente burocrático. Whitford lançou mão do manjado expediente de arriscar um “Tudo bem?”, que eu confesso não saber até que ponto a galera realmente se empolga ou se grita por pura etiqueta de animação e incentivo por reconhecer o esforço do artista. Howey subiu na bateria durante uma das músicas, e com uma pandeirola acertou uns golpes no prato, o que não pareceu impressionar tanto. Whitford até lembrou que o discreto baxista Benjamin Browing estava fazendo aniversário, mas não colou.  

As músicas, na maior parte bem executadas, davam um clima de pista de dança pro Circo Voador e a caracterização do palco ajudava muito também: em alguns momentos a iluminação me lembrou um show do My Bloody Valentine, naturalmente mais elaborada, e em outros momentos dava um clima de rave. Alguns hits levaram o público a momentos bem intensos, mas não o bastante para manter o pessoal na mão por muito tempo.
 
O bis com faixas mornas já contava com um público disperso, que se dispersou ainda mais depois de um segundo bis, de gosto muito duvidoso. Alguns pedidos para o público dançar, brevemente atendidos, mas faltou aquela química entre o competente Whitford e o público.

No final das contas foi um bom show, mas ficou um consenso de que não foi nada fora de série. O que por um lado é naturalmente desapontador, mas por outro é um claro sinal do novo panorama de shows no Rio de Janeiro que deixa o público mais exigente ao passo que atrações internacionais se tornam mais frequentes.

Certamente você já ouviu falar de rugby, ainda mais atualmente que o esporte começa a ser cada vez mais comentado. Especialmente num dia como hoje onde tivemos a final da Copa do Mundo do esporte, com direito aos trending topics do twitter aqui no Brasil terem tópicos referentes ao jogo, ainda que no inóspito horário de 6 da manhã em diante. E independentemente disso, o esporte dá claros sinais de crescimento aqui no Brasil – agora a seleção brasileira conta com o apoio da Topper e o patrocínio da Heineken. Sem falar que recentemente até Hollywood passou pelo esporte com o filme Invictus que conta a história do mais famoso dos mundiais do esporte, em 1995: quando Nelson Mandela (interpretado por Morgan Freeman) vê no mundial sediado na África do Sul a oportunidade de unir um país que embora não estivesse mais sob um regime de segregação racial de forma oficial, ainda vivia sob os ressentimentos do Apartheid.

Talvez você ache o rugby muito intragável, devido ao jogo excessivamente trombado, e ainda mais porque a marca registrada da seleção mais famosa do esporte é uma espécie de ritual de guerra tribal.

Mas acredite, existem outros esportes bretões correlatos com o futebol (O rugby é uma variação do futebol, acredite!) menos conhecidos mas muito fortes em alguns países que parecem tão ou mais estranhas para os nossos olhos.

Futebol Gaélico 

É o esporte mais popular da Irlanda. Acho que isso começa a explicar porque tudo que é jogador de futebol (o britânico) minimamente talentoso vai parar na Inglaterra ou Escócia.

E o mais curioso é conferir as regras e ver algumas das coisas que são consideradas infrações: trocar a bola de mãos ou dar um chapéu, por exemplo, são movimentos proibidos. Em outras palavras, as regras limitam a margem pra habilidade e privilegiam um jogo mais “duro”.

Hurling

Uma bolinha no alto e um inxame de mãos e bastões para pegá-la. Não consigo imaginar a coragem para encara isso. E pior, o esporte não é profissional, apesar da liga com estádios lotados, e tem cara que topa ser goleiro, tentando parar uma bolinha do tamanho de uma de tênis, por puro hobbie. Wow!

Futebol Australiano

A dinâmica de uso simultâneo de pés e mãos é parecida com a do futebol gaélico. Mas além do campo de jogo em formato oval, o jogo australiano é bem mais acrobático. Além dos tackles sem dó, é de se impressionar como os jogadores escalam uns aos outros, sem importar se são companheiros ou adversários, para pegar a bola no alto. Sobra muito joelho e canela a mais de um metro de altura.

E aí, qual deles você jogar com os amigos na próxima pelada?

Ps.: Em breve falo como foi o show do Cut Copy. Aliás, será que eles curtem um joguinho do futebol da terra deles?

Ps. 2: Descanse em paz Marco Simoncelli.

Essa idéia já me ocorria na cabeça e nestes dias alguns fatos me martelaram ainda mais a cabeça sobre o assunto. Primeiramente, este post do Floga-se e depois a repecursão na mudança mais recente do lineup do Planeta Terra.

Destrinchando agora, começando pelo festival. Pra quem não lembra, em 2010 o grande nome do Planeta Terra era um Smashing Pumpkins longe dos tempos áureos e outros nomes de hypes do ano anterior e nomes ainda pouco falados aqui. Os ingressos levaram um mês para se esgotarem. Este ano um Strokes recém retornado de um hiato, com um álbum lançado recentemente, causou um tremendo alvoroço. 13 horas e não havia mais ingressos. Parecia bom, mas parece que não é bem assim, exceto pelo lucro dos organizadores, ou nem isso pois o festival dificilmente não teria seus ingressos esgotados.

 

 

Nesta semana, os one-hit-wonders suecos Peter, Bjorn and John anunciaram o cancelamento de sua participação no festival. Para o lugar deles a organização do festival anunciou os nova-iorquinos do Gang Gang Dance. Pelas reações que eu vi, muita chiadeira lacônica por causa de uma banda que uma banda que aparentemente é pouco conhecida aqui (eu mesmo não conheço). O curioso é que rola uma aparente má vontade  com uma banda que é pouco falada por aqui, embora tenha um dos melhores álbuns do ano. Chegamos ao absurdo de taxarem as bandas do lineup de “hipsterzice” – eu entendo falarem isso do Toro y Moi que é um chillwave que caiu nas graças da turma esteriotipada indie, mas… colocar um Broken Social Scene nesse balaio demonstra a ignorância que tem tomado conta da turma que frequenta os espaços ditos indies, alternativos, whatsoever.

 

Sobre o texto do Floga-se, nem chego a dizer que concordo de forma plena e textual com ele. Não tenho idade nem cacife pra viver esse “indie total” dos anos 80 ou 90. Meu lance com o indie é coisa bem mais recente, 2006, eu na adolescência conhecendo bandas gringas que não se comentavam aqui graças a fóruns de internet, last.fm, escutar Editors e Interpol à rodo e caçando mais e mais bandas. O esteriótipo que eu via era o da síndrome de underground, bem diferente do atual.

 

Não quero aqui dizer que alguém é melhor ou pior por ser fã de Strokes. Mas lamento ver a banda virar um novo Guns’n Roses com seus fãs ficando tacanhos, assumindo um esteriótipo descolado agindo tão na contra-mão disso. Sem falar que são esses que perdem a oportunidade de ir num festival e encarnar o espírito de um festival de conhecer novos sons.

 

Enfim, o “indie” anda tão coxinha que pra se livrar do cheiro de fritura, só mesmo com o perfuminho do Casablancas.

Hoje foi um dia bem agitado, com muito mais coisas interessantes pra se falar, mas eu não estou com pressa. Fazia questão deste assunto como inauguração de fato pro blog. Acho que quando você assiste um show e as memórias dele se mantêm cristalinas depois de duas semanas é sinal de que foi realmente marcante.

Pra quem não sabe, o show das meninas do Warpaint no Rio de Janeiro foi organizado pelo pessoal do Queremos, aqueles que tem conseguido dar uma turbinada no cenário de shows do Rio. E quando comprei o ingresso reembolsável pro Warpaint isso estava em mente – a idéia de ajudar a trazer um tipo de show que ainda não é comum por aqui: o de uma banda que acabou ainda é novidade fresca lá fora, com a chance de vir para cá. Gostar do Warpaint foi importante na decisão, mas não me considerava um fã da banda, e a idéia de bancar um show “fresquinho” foi o que me atraiu mais.

No tempo entre a arrecadação pro show e o próprio eu já havia praticamente me esquecido dele. Acabei indo naquela inocente Sexta-feira pra ver no que ia dar. Em uma hora aquelas garotas me convenceram a ser fã com uma verdadeira aula, não só de tocar ao vivo, mas também de carisma e interação com o público (um olhar mais atento consegue captar isso no vídeo no início do post). Não faço questão de autógrafos, mas esse show me deu uma sensação de felicidade tão única que eu fiz questão de ficar mais um pouco no Circo esperando e ter o pôster do show assinado pela Emily Kokal (eu casava com ela, hein?) foi a cereja do bolo.

No final das contas, a satisfação de ter assistido a um show desses ficou ainda maior se juntando com a noção de que ajudei esse evento a ser viabilizado e essa é uma coisa legal do Queremos, onde entra também a sensação psicológica de se economizar para a compra de um ingresso reembolsável, e depois de algum tempo ver o show e ainda receber o reembolso. Foi um grande prazer fazer parte disto.

E a entrevista delas falando da simpatia pelos anos 90 aumentou ainda mais meu respeito, já enorme, pela banda….