Indie-dependência

Essa idéia já me ocorria na cabeça e nestes dias alguns fatos me martelaram ainda mais a cabeça sobre o assunto. Primeiramente, este post do Floga-se e depois a repecursão na mudança mais recente do lineup do Planeta Terra.

Destrinchando agora, começando pelo festival. Pra quem não lembra, em 2010 o grande nome do Planeta Terra era um Smashing Pumpkins longe dos tempos áureos e outros nomes de hypes do ano anterior e nomes ainda pouco falados aqui. Os ingressos levaram um mês para se esgotarem. Este ano um Strokes recém retornado de um hiato, com um álbum lançado recentemente, causou um tremendo alvoroço. 13 horas e não havia mais ingressos. Parecia bom, mas parece que não é bem assim, exceto pelo lucro dos organizadores, ou nem isso pois o festival dificilmente não teria seus ingressos esgotados.

 

 

Nesta semana, os one-hit-wonders suecos Peter, Bjorn and John anunciaram o cancelamento de sua participação no festival. Para o lugar deles a organização do festival anunciou os nova-iorquinos do Gang Gang Dance. Pelas reações que eu vi, muita chiadeira lacônica por causa de uma banda que uma banda que aparentemente é pouco conhecida aqui (eu mesmo não conheço). O curioso é que rola uma aparente má vontade  com uma banda que é pouco falada por aqui, embora tenha um dos melhores álbuns do ano. Chegamos ao absurdo de taxarem as bandas do lineup de “hipsterzice” – eu entendo falarem isso do Toro y Moi que é um chillwave que caiu nas graças da turma esteriotipada indie, mas… colocar um Broken Social Scene nesse balaio demonstra a ignorância que tem tomado conta da turma que frequenta os espaços ditos indies, alternativos, whatsoever.

 

Sobre o texto do Floga-se, nem chego a dizer que concordo de forma plena e textual com ele. Não tenho idade nem cacife pra viver esse “indie total” dos anos 80 ou 90. Meu lance com o indie é coisa bem mais recente, 2006, eu na adolescência conhecendo bandas gringas que não se comentavam aqui graças a fóruns de internet, last.fm, escutar Editors e Interpol à rodo e caçando mais e mais bandas. O esteriótipo que eu via era o da síndrome de underground, bem diferente do atual.

 

Não quero aqui dizer que alguém é melhor ou pior por ser fã de Strokes. Mas lamento ver a banda virar um novo Guns’n Roses com seus fãs ficando tacanhos, assumindo um esteriótipo descolado agindo tão na contra-mão disso. Sem falar que são esses que perdem a oportunidade de ir num festival e encarnar o espírito de um festival de conhecer novos sons.

 

Enfim, o “indie” anda tão coxinha que pra se livrar do cheiro de fritura, só mesmo com o perfuminho do Casablancas.

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