Música Pouco Popular Brasileira

O que me motiva a este post é a controversa coluna do Álvaro Pereira Junior e também toda a repercussão em torno da mesma – aqui e aqui também.

A idéia de que falta crítica musical no Brasil me parece ser consenso. Se houver crítica musical, ela mal ecoa, e talvez seja justamente pelo apontado de haver muita camaradagem. Do mesmo jeito que desgraça vende mais jornal que notícia boa, uma crítica negativa instiga mais a se escutar um artista do que loas em excesso.

O problema começa quando nosso amigo jornalista tenta politizar a análise e se enrola todo, aparentemente por uma questão que tem muito mais a ver com preferência partidária do que por uma análise realmente focada nas necessidades de uma cena artística.

Como numa das reportagens linkadas no começo do texto, o jornalista Jotabê Medeiros lembra da Invasão Sueca, evento promovido anualmente pela embaixada da Suécia no Brasil com a finalidade de divulgar artistas do reino escandinavo por aqui. Lulismo sueco, é isso?

Não entrarei no mérito dos cachês, pois desconheço a realidade e as versões são contraditórias. Mas shows a preços populares bancados por impostos, qual o problema disso? Nada mais justo que parte do que pagamos em impostos volte sob a condição de facilitar nosso acesso a espetáculos culturais, além de divulgar artistas que também são contribuintes, dando-lhes mais chances de encontrarem meios de se sustentar com seu trabalho. Sem falar em ajudar a estruturar nomes que podem se projetar e depois mostrar o Brasil lá fora – o que faz parte daquilo que qualquer um que estude relações internacionais, meu caso, conhece como soft-power, que conta bastante. Além do fato de que temos leis de incentivo a cultura, que nem sempre são usadas como se deveria, mas não é o caso para me estender aqui.

Não questiono que os Criolos e Jenecis da vida não tragam nada de inovador, apesar de que às vezes vejo certas obsessões com a inovação que me parecem exageradas. Do mesmo jeito, como em outro texto que já citei aqui, fica uma impressão de que são nomes sustentados de forma muito artificial. Mas aí a gente olha pra fora do panorama alternativo – será que dá pra abaraçar Restart, Luan Santana e afins como inovadores como se apregoa na crítica do Álvaro Pereira?

Aí chegamos em outro ponto. Enquanto a música independente no Brasil parece viver num estamento à parte, até que ponto ela recebe incentivos para ir além? Durante o VMB da consagração de nomes como Criolo, Rick Bonnadio despejava críticas, alegando que “a premiação não respeitava a vontade popular” [sic], e que estes artistas “não vão ser lembrados daqui a cinco anos”. Vamos para o clássico dilema de Tostines – É conhecido por que criticam muito ou criticam muito por que é conhecido? Convenhamos que faz mais sentido descer a lenha em quem é mais repercutido do que “bater em cachorro morto”. Até que ponto existe o interesse de quem pode repercutir em dar espaço para a melancolia de “Não Existe Amor em SP” em detrimento de canções com maior apelo comercial aparente?

Por mais que o argumento seja válido, é de se ressaltar também que é fácil falar da (falta de) crítica para a música brasileira e ficar comparando Editors com Interpol.

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