Lollapalooza – E aí?

Perry Farrel e seu festival

Perry Farrel: muita dor de cabeça com o Lollapalooza Brasil

 
Faltam mais de 5 meses para a primeira edição do Lollapalooza Brasil e o festival já está dando muito o que falar. Até por isso mesmo, resolvi esperar um pouco para analisar o que está acontecendo. Muita informação nova que surge a cada momento e é bom processar com calma antes de julgar tudo e disparar a metralhadora.
 
Tentarei ser o mais abrangente possível aqui.
 
A POLÊMICA
 
Às vésperas do anúncio oficial com o line up do festival o sempre polêmico Lobão divulga um vídeo no qual fala sobre o convite que recebeu do festival e sua recusa. A alegação era de que ele julgava merecer uma posição melhor e há um desrespeito geral com as bandas brasileiras em festivais, sempre postas em horários nada atrativos para tocar e ainda conclamou um boicote aos colegas convidados a tocar no festival para que conseguissem mais prestígio.
 
Essa bandeira não é exclusiva do Lobão. Só fazendo um apanhado de outros episódios recentes já se tem bastante material: João Gordo não perdoou a organização do Rock in Rio por causa disso; o Nação Zumbi mordeu a organização do Planeta Terra (mas depois assoprou); o barraco do Ultraje a Rigor com os roadies do Peter Gabriel (vale lembrar que pediram para que o show do Ultraje fosse cortado pela metade para compensar os atrasos na programação).
 
Por outro lado, eu duvido que a grande parte do público que vai ao Lollapalooza faça questão de ver Lobão. Eu não faria. O próprio Perry Farrell citou o caso do Billy Idol na última edição do festival em Chicago tocando às 16 horas. De qualquer forma, a minha impressão é a de que um festival tem mais a ganhar colocando atrações de mais apelo mescladas com outras ainda menos conhecidas. Faz o público se abrir pra ver novas bandas (e essa é a graça de um festival) e ainda atrai o público para chegar mais cedo e consumir mais dentro da área do festival. Vale lembrar que na mesma edição americana de 2011, tivemos o Arctic Monkeys tocando antes do Explosions in the Sky no mesmo palco.
 
O fato é que a organização anunciou que vai haver uma mescla de nomes nacionais com nomes internacionais, com direito ao headliner Foo Fighters ser imediatamente antecedido pelo show d’O Rappa. Nunca vamos saber se a chiadeira do Lobão funcionou mesmo, ou se isso foi só o delírio de um artista egocêntrico que não sabe onde se posiciona de verdade na visão do público.
 
O LINE UP
 
Posso resumir com a clássica “haters gonna hate”. Achei interessante. Muita gente chiando com as reclamações de pouco espaço para o rock no Rock in Rio, essa é a hora de ficar quieto. O Lollapalooza é um festival de rock, com margem para coisas interessantes fora deste universo, e na qualidade de um festival de rock com uma pegada mais antenada, acho que os nomes trazidos são muito interessantes.
 
Vivemos num país com 200 milhões de técnicos de futebol, 200 milhões de especialistas em energia elétrica, 200 milhões de curadores de shows. Eu até acho isso normal: na qualidade de potenciais consumidores do Lollapalooza, nada mais legítimo que criticar ou elogiar. Mas na minha opinião, a chance de termos nomes interessantes, mas sem o apelo dos headliners, como o caso de TV On The Radio, MGMT é algo muito positivo. Além das novidades ainda frescas como Skrillex e Foster The People.
 
Só fico com a pulga atrás da orelha com os nacionais. Alguns nomes das antigas, que eu imagino tenha bem mais apelo a quem é mais velho (e precisaria pagar 300 reais por dia ou 500 num Lollapass para ir) e que aparentemente não compensaria tirar o escorpião do boslo para vê-los, além de alguns nomes que causam aquele instantâneo “WTF?”. Em compensação, fiquei muito feliz em ver um expoente da nova (e boa) safra de bandas cariocas que é a Tipo Uísque tendo a oportunidade de fazer parte do evento.
 
O PREÇO E A VENDA
 
Resumindo, não achei nem extorsivo nem uma pechincha atraente, mas talvez pudesse ser melhor. A comparação entre os 500 reais para o passe de dois dias e os preços do Chile é de uma covardia sem tamanho. Aliás, serviu para expor algo que muita gente já comenta: a famigerada questão da meia-entrada. As estimativas dão conta que de 75% a 80% dos ingressos vendidos tem valor pela metade. Portanto os tais 500 reais não refletem a realidade.
 
A realidade é pré-venda de um passe de 2 dias no qual cada dia custa 125 reais em valor promocional. Uma economia de 50 reais no total. Não me pareceu promocional mas nem tanto. E comparando com o Chile, a diferença é de quase 50 reais no mesmo passe de dois dias, com o agravante de que a edição chilena é mais recheada de atrações, na sua maioria locais. Aí entra também o tal “custo-Brasil” (ECAD, custos de operação, locação da área, etc.). A propósito, outra coisa que deve merece uma discussão mais séria: o que faz esse custo de shows ser maior no Brasil e até que ponto isso se reverte em benefício para artistas e público?
 
Retomando, imaginando um preço promocional de R$ 125,00, e um preço normal de R$ 150,00, e supondo um lineup de um dia, enquanto ainda não sai em definitivo. Que tal… Foo Fighters, O Rappa, MGMT, TV On The Radio, Joann Jett, Band of Horses, Foster The People, Gogol Bordello, Friendly Fires, Crystal Method, Tinnie Tempah, Peaches, Plebe Rude, Wander Wildner, Tipo Uísque, Velhas Virgens, Garage Fuzz? É… ok.
 
Bom lembrar que este é um festival privado. Meu incômodo com os preços é questão de um ponto de vista pessoal. Qualquer coisa além disso não me parece muito cabível em reclamações aqui. Não estamos falando de um Back2Black que conta com financiamento público e cobra preços como se não houve esse tipo de apoio.
 
E finalizando com relação ao preço, aquilo que, pelo menos pra mim, afasta pra valer. É a incoveniência das taxas com as quais nos deparamos depara na hora de fazer a compra. Os poucos infelizes que compraram um passe a preço inteiro (para não dizer dobrado) precisaram pagar uma indecente taxa de 100 reais pelo serviço de venda pela internet. “Módicos” 50 reais para a conveniência da meia entrada (se o serviço é o mesmo, porque diabos cobrar em porcentagem?) além de mais 34 reais de taxa de entrega, que imagino que seja contronável. Só de taxas já temos praticamente um novo ingresso, ou mais de um ingresso para shows individuais por aí. Isso não é legal. Aliás, pega mal cobrar a taxa por fora numa pré-venda onde o serviço é exclusivo na internet, ou seja, sem alternativa para driblar a taxa de conveniência.
 
E ainda tivemos a pré-venda, que durou algo em torno de 24 horas. Bem problemática. Congestão por conta de um tráfego inesperado (quero entender como de 60.000 senhas dadas fomos para 2 milhões de acessos, enfim…), site que redirecionava para venda de ingresso pra jogo do Figueirense, vazamento de dados de compradores. Deu bastante errado. Prenúncio de muita preparação e tensão, tanto para os responsáveis pelas vendas como para os fãs.
 
Vale lembrar que antes do início da pré-venda o link pra venda de ingressos vazou. O que deu origem ao boato de que não haveria meia-entrada na pré-venda, queimando o filme do próprio festival e sendo mais um indício de que há algo a ser melhorado no sistema de vendas.
 
O CARA
 
 

Imagino não ter sido o único a se incomodar com algumas coisas faladas pelo Perry Farrell. Mas é um pouco o espírito do comercial das Havaianas também. Farrell devia ter se preparado melhor antes de vir pro Brasil, só que parece que se ateve aos esteriótipos: “vocês não gostam de serem chamados de América Latina” foi de uma infelicidade impar para alguém que se pretende como embaixador de um evento. Não questiono o fato de estarmos num país mini-imperialista, mas se eu fosse divulgar algo nos Estados Unidos eu teria todo o cuidado para não falar de um povo que parece não saber nada sobre o resto do mundo. Tão assessorando muito mal o cara.

Mas aquilo que mais incomodou a mim em particular foi afirmar que o Brasil está se acostumando a shows internacionais. De fato estamos em um momento especial nesse sentido como não se via, mas ler isso me passou a impressão daquele americano esteriotipado (olha a reciprocidade) acreditando na idéia do destino manifesto e que ele como yankee tem a missão de levar as noções de civilização para os bárbaros mundão afora. E por mais importante que o Lollapalooza seja no sentido de trazer nomes interessantes para tocar no Brasil, ele não é nenhum divisor de águas e sabemos bem disso.

Muita falação e ainda muito tempo para os shows. Isto é o Lollapalooza Brasil até aqui.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
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