O morno GP do Brasil

Nunca antes na história deste GP tivemos uma corrida tão sem expectativa. Chavões à parte, é inegável que o GP do Brasil deste ano, que acontece neste final de semana, é um dos menos aguardados na história.

A seguir um apanhado desde 1991 das expectativas em torno dos GPs do Brasil. Por que 1991? Pois foi quando o GP do Brasil voltou a Interlagos e passou a ser realizado no traçado que conhecemos hoje.

De 1991 até 1994 havia algo óbvio que fazia o GP do Brasil ter apelo, pelo menos a nível local: a presença de Ayrton Senna, que ainda conseguiu duas vitórias memóraveis – 1991 e 1993.

Entre 1995 e 1999, por um lado era o período negro pro automobilismo brasileiro onde pensar em vitória já era muito. Por outro, como a corrida acontecia no início do campeonato, isto dava um valor para ela dentro do contexto com as demais corridas.

A partir de 2000, com a chegada de Rubens Barrichello à Ferrari, voltava a expectativa de ver um piloto brasileiro vencer. Essa expectativa demorou a ser satisfeita, somente com Felipe Massa em 2006. E neste tempo, houve outra mudança considerável – a partir de 2005 a prova passou a ser realizada na segunda metade da temporada.

Tal mudança acabou fazendo com que Interlagos recebesse a honraria de se tornar um palco de decisões, como Suzuka ganhou a fama anteriormente. Uma sequência de títulos foram vistos no GP do Brasil: O antecipado título de Alonso em 2005, o já praticamente certo título de 2006 do mesmo Alonso, a zebra incrível de Räikkonen em 2007 e a decisão mais empolgante de campeonato que a Fórmula 1 já viu em 2008 (o vídeo do começo do post) quando Massa perdeu seu título para Hamilton na última curva. E ainda houve o título de 2009, ganho por Button, com Barrichello na disputa.

Em 2010, não houve título conquistado em Interlagos, mas a corrida foi um passo decisivo na disputa tríplice entre Alonso, Webber e Vettel. Mas em 2011 não há campeonato a ser disputado. Vettel se sagrou campeão com folga.

Não bastasse a falta de tempero de uma disputa de campeonato, os brasileiros talvez estejam na pior fase desde 2000. O máximo que pode se esperar é uma tentativa de Felipe Massa apagar a má impressão de uma péssima temporada. Fora isso resta um Bruno Senna ainda cru numa limitada Renault, buscando um espaço para 2012 e Barrichello fazendo o possível e o impossível para que este não seja o seu último Grande Prêmio de Fórmula 1 em um carro que não inspira animação alguma.

O que sobra é o clima de fim de festa, uma homenagem aos 30 anos do primeiro título de Nelson Piquet e uma corrida na medida para quem gosta do esporte. Vale a pena para quem quer ver sem o ofuscamento que esse ou aquele fato especial no contexto causam. E claro, vale lembrar, Interlagos sobrevive firme e forte num calendário cada vez mais tomados por pistas com estruturas faraônicas e grandes áreas de escape. Interlagos é uma pista que representa um desafio diferente da tendência do calendário. Ainda tem alguma coisa pra ver.

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