Relações Brasil – Estados Unidos – Aproximação ou não?

Recentemente foi publicado no site do Washington Post um artigo sobre as relações entre Brasil e Estados Unidos e, na visão do autor, a necessidade de continuar um aprofundamento nas relações entre os países baseado em uma avaliação mais atualizada da situação brasileira. O original você pode ler aqui.

Para a conveniência segue abaixo o artigo traduzido:

O Brasil e o próximo presidente republicano

 

Passando uma semana em Brasília, São Paulo e Rio me encontrando com representantes de alto escalão do governo brasileiro e com pessoas muito influentes no país, é claro para mim que Republicanos e conservadores precisam entender que o Brasil poderia ser tão decisivo nas consequências para os Estados Unidos nos próximos vinte anos quanto Canadá ou México são para nós agora. O próximo presidente Republicano precisa fazer do Brasil uma grande prioridade primeiramente nomeando um embaixador de alto nível e em segundo lugar, fazer do Brasil uma das suas primeiras paradas mundo afora.

O Brasil ainda é considerado um país em desenvolvimento, mas esta classificação está uns dez anos atrasada. Os Estados Unidos precisam desenvolver novos modos de trabalhar com países como Brasil que estão em vias de se tornarem industrializados. Ao invés de ajuda internacional e desenvolvimento, nós temos “interesses de cooperação” com o Brasil que são ligados à nossa política externa, segurança nacional e interesses comerciais.

Republicanos e conservadores, como outros ao longo do espectro politico, historicamente tiveram outros interesses na região (por exemplo: Cuba, Venezuela, México, Colômbia e Nicarágua para citar alguns). O Brasil não se apresentou para os Estados Unidos nem como ameaça à segurança nem como mercado. Há, claro, laços históricos que geralmente são subestimados e ignorados (exemplo: o envio de tropas brasileiras para lutar do lado dos aliados na Segunda Guerra Mundial).

Os brasileiros costumam ser muito carentes, muito envolvidos com si próprios ou caóticos demais para chamar nossa atenção ou para que nós chamássemos bastante a atenção deles. Também, em momenos de ilusão de grandeza, os brasileiros se viram como quase rivais para nós – algo que não foi recíproco pelo simples fato de que o Brasil não esteve em nosso radar.

Nos últimos 20 anos, muita energia nestas relações foi gasta na área do meio-ambiente. Muitos lembrarão da campanha “Salve a Floresta” [“Save the Rainforest”] focando na Amazônia no final dos anos 80 e início dos anos 90.

Finalmente, quantas pessoas nos Estados Unidos falam português sem ter um laço familiar com a língua? Os, poucos, latino-americanistas falam espanhol e se focam nos países de língua espanhola por boas razões. Isto está mudando ou mudará.

A janela da oportunidade está aí.

Seguindo os mandatos dos presidentes George W. Bush e Luiz Inácio Lula da Silva, os presidentes Barack Obama e Dilma Rouseff têm aprofundado as relações entre os dois países desde pelo menos 2005, com encontros mais frequentes e diálogos governamentais de alto nível. Rousseff e seu ministro de Relações Exteriores Antonio Patriota são abertamente pro-América. Nós temos uma oportunidade para consolidar esta relação e move-la de uma relação de terceiro nível para uma relação de primeiro nível nos próximos 10 anos. Se houver um Republicano na Casa Branca em 2013, precisaremos seguir sobre o legado de Bush e Obama, criar um escritório no Departamento de Estado focado somente no Brasil, como temos para o Canadá, e encontrar novas e mais estratégicas maneiras para trablhar junto através de ligações que já existam ou que já precisem ser construídas entre nossas duas sociedades.

 

Antes de mais nada eu confesso que sempre acho interessantíssimas essas análises sob outros pontos de vistas. É legal ver a percepção que outros têm sobre um país com os quais não estão plenamente habituados.

No texto o autor traça um paralelo acerca das influências de Canadá e México para os Estados Unidos. Por questões de proximidade geográfica, mercado consumidor (no caso do Canadá) e facilidades para empresas americanas (no caso do México) estes países criaram relações mais intrincadas, que acabaram desembocando no Nafta – acordo de livre comércio da América do Norte. De certa forma, esta comparação mostra que apesar do respeito crescente, o Brasil ainda é encarado como um assunto pertencente a uma dimensão mais local.

Em suma, aproximar as relações para assegurar que haja um alinhamento com uma potência emergente, mas acima de tudo, uma potência local. Justifica a idéia de “ilusão de grandeza” citada no texto.

Por outro lado, é interessante ver a dimensão cultural em tais relações. Manifestadas na idéia de percepção que as sociedades de cada país tem em relação ao outro país e na própria idéia de afinidade cultural, até no meio acadêmico, onde se ressalta a carência de acadêmicos que falem português e se aprofundem no país.

A despeito das necessidades da política externa brasileira, cada vez mais interligada com diversos países existe a tradição e isto pode pesar. Além do exemplo da cooperação na Segunda Guerra Mundial, existe toda uma tradição nas relações entre os dois países. Poucos lembram, mas os Estados Unidos foram o primeiro país a reconhecer a independência do Brasil. E as tradições também pesam bastante nestas horas.

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