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Arquivo mensal: janeiro 2012

A Anatel revelou que em Dezembro a Oi solicitou que as metas de qualidade de banda larga (mínimo de velocidade de conexão mantida para o usuário: no momento imediato e média mensal. por exemplo) fossem relaxadas.

A Anatel abriu a questão para consulta pública. Basta mandar um e-mail para a Anatel –  spv@anatel.gov.br – e eu sugiro que você se posicione contrariamente a tal idéia, a menos que você queria se irritar muito com o seu serviço de internet.

Pela primeira vez o Queremos contou com uma convidada indesejada. A inédita chuva certamente afastou uma galera do show da última sexta-feira e ainda espremeu a social dos mais bravos para as marquizes dos bares e para a pista.

No show do The Rapture, chama a atenção a clareza e até uma certa simplicidade que combinam bem com o som direto da banda. Nenhuma caracterização muito grande no palco e um som com uma cozinha muito valorizada, mesmo que os cozinheiros não estivessem dispostos a sair do feijão com arroz. A bateria se sobressaltava ainda mais com caixa e bumbo tão altos que chegavam a parecer samples – incômodo se formos discutir a filosofia do som, muito bom pra chamar pra dançar e curtir o som.

Um setlist aparentemente bem pensado para ir chamando o público pouco a pouco conforme crescia e a galera afiadíssima, especialmente no combo “Whoo! Alright…” e “House of Jealous Lovers” quando o público já começou a puxar o coro do maior hit da banda nas primeiras batidas.

O show passou rápido, ficou a sensação de que poderia ter sido mais longo, havido algo a mais, mas isso não derruba a boa impressão sobre a apresentação.

E ainda como brinde para os que ignoraram a chuva, o cosplay de Jesus Cristo, Breakbot, deixou a pista do Circo cheia de gente curtindo seu set até as 4 da manhã.

Todo mundo já deve ter ouvido falar do ACTA no rescaldo das discussões de SOPA e PIPA, mas não custa recapitular. O ACTA é um tratado internacional para definir medidas anti-pirataria. Porém as medidas propostas pelo ACTA abrem um precedente para a vigilância total dos usuários de internet.

Em um mundo onde a internet está cada vez mais presente na vida das pessoas, um tratado deste tipo é uma ameaça grave à liberdade dos cidadãos. E o fato do tratado ser discutido às escuras, longe da socidade, é praticamente uma admissão de culpa.

E entre os países signatários, gente como Estados Unidos e Japão e países membros da União Européia. Sim, estamos falando de país democráticos, em tese.

E a coisa vai além da internet. Democracia no olho dos outros é refresco.

Pingou por aqui mais uma apresentação que entra nessa discussão de copyright e etc.

Resumo da ópera: uma produtora independente lança seu filme e rapidamente o mesmo se espalha de forma impressionante pela internet. Partindo daí toda uma cadeia é dissecada, envolvendo sites de compartilhamento de arquivos, uploaders, gigantes da informática, anunciantes – todos lucrando em cima de um conteúdo sem que quem produziu ganhe nesta roda viva da pirataria.

A minha conclusão é que isso é uma prova concreta de que dá pra se sustentar produzindo mesmo com esse paradigma de compartilhamento em massa. A quantidade de dinheiro que circula é enorme (vide a mansão e a coleção de carros do fundador do Megaupload). Quem perde são os próprios produtores que insistem em reinvindicar o cumprimento de uma legislação que não os resguarda em muita coisa hoje em dia.

A parte em especial onde o video cita “músicos indies” como grandes prejudicados com a pirataria é onde eu vejo a maior falácia do ponto de vista do vídeo. Tomando por parte minha própria experiência, eu não consigo imaginar meios de distribuição de conteúdo convencional formando público para shows como os que eu citei aqui ontem como meus favoritos do ano passado, ou alguém aqui já escutou Warpaint, ou até gente já bem estabelecida lá fora como The National ou Broken Social Scene nas rádios, ou viu CD deles na primeira esquina que passou? Até mesmo artistas de selos major agradecem à essa onda de compartilhamento para divulgar seus trabalhos.

É complicado falar em educar o consumidor a não piratear quando em muitos dos casos a pirataria é o único meio de acesso ao conteúdo desejado.

Virou o ano e a temporada de shows vai dando seus primeiros passos. Rita Lee dando oi e tchau para o Circo Voador, Summer Soul Festival tendo Bruno Mars de estrela e Florence and the Machine dando mais buzz e o combo The Rapture/Breakbot abrindo os trabalhos do Queremos em 2012.

Antes de começar a minha farra de shows em 2012, chegada a hora de relembrar os meus favoritos do ano que passou.

 

5. The National – 08/04 – Circo Voador – Queremos

Já me achei “O fã” de The National. Tive a certeza de estar enganado quando vi uma galera cantando a plenos pulmões todas as músicas do memorável show. Só não foi literalmente “impecável” por causa da gracinha de Matt Berninger subir na bateria e levar um tombo daqueles, o que não comprometeu a apresentação. E o final acustico com Vanderlyle Crybabe Geeks é daquelas coisas pra levar pra sempre.

4. Nação Zumbi – 05/11 – Playcenter – Planeta Terra Festival

Atitude conta tanto quanto o som em si, às vezes até mais, em uma apresentação ao vivo. E num Planeta Terra onde todo mundo parecia conformado em fazer figuração pro show do Strokes, o Nação Zumbi foi exceção. Com sangue nos olhos, os pernambucanos tocaram na ferida do desprestígio às bandas brasileiras nas escalações dos festivais e esse show foi um senhor argumento.

3. Primal Scream – 23/11 – Circo Voador – Queremos

 

Daqui pra frente, é um empate técnico – só shows incríveis, mesmo. Bobby Gillespie dá uma aula de ser um frontman – mestre até na arte de não fazer nada no palco fazendo alguma coisa.  Fora a missão de celebrar o cultuadíssimo álbum Screamadellica muito bem cumprida. E um destaque especial para Higher Than The Sun, a execução de uma faixa ao vivo que mais me impressionou em tudo aqui.

 

 

2. Broken Social Scene – 08/11 – Circo Voador – Eu Quero Festival

 

 

Num lugar muito improvável, o Broken Social Scene fez o seu último show, em muito tempo ou para sempre. Sorte dos cariocas que tão começando a se habituar a receber (e bancar) shows outrora improváveis. Duas horas e meia de uma apresentação histórica que manteve Circo Voador cheio até as 2 da manhã de uma madrugada de Segunda pra Terça, com direito a rodinha, canja e sintetizador do Toro y Moi e covers improváveis. Pra contar pros netos.

 

 

1. Warpaint – 07/10 – Circo Voador – Queremos

 

 

Não vou negar: o fato de ter ido a esse show sem expectativa alguma pode ter sido decisivo na minha percepção do show, e estamos falando de um dos shows mais elogiados de 2011 mundo afora. Pouca produção e um problema no baixo no começo do show, tudo isso foi irrelevante. Uma apresentação com muita dedicação, muita entrega e sem medo de sair do script. Arrebatadora.

 

 

2011 vai deixar saudades mas o ano que chega já tem no horizonte um Lollapalooza e um Sónar bastante promissores  … e o Wilco fazendo charme.

Sim, o autor da lei anti-pirataria não credita o autor da foto que usa no próprio site.

Em Novembro eu participei de um evento acadêmico – SiONU: Simulação da Organização das Nações Unidas – que é bem conhecido dos estudantes de Relações Internacionais daqui do Rio de Janeiro. Eu estava em um comitê que discutia assuntos relacionados à Internet – violência nas redes e cyberguerra, basicamente. Muito do que eu propunha se baseava em responsabilizar plataformas virtuais pelos conteúdos que fossem publicados por usuários e julgados impróprios. Tudo na intenção de ferrar sites como Facebook e minimizar a capacidade de articulação de civis já que eu representava a Coréia do Norte e qualquer possibilidade de mobilização social deve deixar aquela turma bravateira de Pyongyang arrepiada.

Não é por menos que ver o legislativo americano discutir projetos de lei como o SOPA e o PIPA que pretendem por um controle severo sobre a internet me causa arrepios. O lobby da indústria do entretenimento faz a “terra da liberdade” ficar logo ali da sede do governo norte-coreano.

O The Pirate Bay mandou o recado sobre essa guerra toda que só esquentou com o fechamento (mal sucedido) do Megaupload e os subsequentes ataques a sites de empresas de entretenimento e de órgãos governamentais dos EUA.

Vendo a questão de forma bem pragmática, o lobby das coporações de entretenimento não deixa de ser um reflexo da própria falta de competência das mesmas em não se adaptar a um novo cenário onde o modelo de distribuição de conteúdo sustentado por elas se encontra a cada dia mais defasado – aliás, foi bem simples de saber que a Luiza estava no Canadá, né? Eu vivo em um mundo onde eu ajudo a bancar os custos de shows que eu quero ver e onde existe financiamento coletivo também para álbuns musicais e… filmes! Parece que alguém aí comeu mosca, e eu não quero pagar por essa incompetência.

O debate sobre regulamentações do espaço virtual deve existir e o mesmo vale para a propriedade intelectual. Mas não completamente regido pelos interesses de um grupo muito seleto.

Recomendo ver o documentário abaixo, RIP: A Remix Manifesto, que mostra bem como a idéia do direito autoral acabou sendo subvertida ao longo do tempo.