SOPA no olho dos outros é refresco

Sim, o autor da lei anti-pirataria não credita o autor da foto que usa no próprio site.

Em Novembro eu participei de um evento acadêmico – SiONU: Simulação da Organização das Nações Unidas – que é bem conhecido dos estudantes de Relações Internacionais daqui do Rio de Janeiro. Eu estava em um comitê que discutia assuntos relacionados à Internet – violência nas redes e cyberguerra, basicamente. Muito do que eu propunha se baseava em responsabilizar plataformas virtuais pelos conteúdos que fossem publicados por usuários e julgados impróprios. Tudo na intenção de ferrar sites como Facebook e minimizar a capacidade de articulação de civis já que eu representava a Coréia do Norte e qualquer possibilidade de mobilização social deve deixar aquela turma bravateira de Pyongyang arrepiada.

Não é por menos que ver o legislativo americano discutir projetos de lei como o SOPA e o PIPA que pretendem por um controle severo sobre a internet me causa arrepios. O lobby da indústria do entretenimento faz a “terra da liberdade” ficar logo ali da sede do governo norte-coreano.

O The Pirate Bay mandou o recado sobre essa guerra toda que só esquentou com o fechamento (mal sucedido) do Megaupload e os subsequentes ataques a sites de empresas de entretenimento e de órgãos governamentais dos EUA.

Vendo a questão de forma bem pragmática, o lobby das coporações de entretenimento não deixa de ser um reflexo da própria falta de competência das mesmas em não se adaptar a um novo cenário onde o modelo de distribuição de conteúdo sustentado por elas se encontra a cada dia mais defasado – aliás, foi bem simples de saber que a Luiza estava no Canadá, né? Eu vivo em um mundo onde eu ajudo a bancar os custos de shows que eu quero ver e onde existe financiamento coletivo também para álbuns musicais e… filmes! Parece que alguém aí comeu mosca, e eu não quero pagar por essa incompetência.

O debate sobre regulamentações do espaço virtual deve existir e o mesmo vale para a propriedade intelectual. Mas não completamente regido pelos interesses de um grupo muito seleto.

Recomendo ver o documentário abaixo, RIP: A Remix Manifesto, que mostra bem como a idéia do direito autoral acabou sendo subvertida ao longo do tempo.

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