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Arquivo mensal: abril 2012

Depois de um longo inver… verão, o blog dá um alô. Além de pedir desculpas e agradecer aos seguidores que esperaram por algum conteúdo nos últimos tempos.

O Lollapalooza come solto com Dave Grohl e uma péssima voz delirando o público além de outras atrações, mas antes algumas delas aportaram em terras cariocas: mais precisamente Foster The People, Thievery Corporation e Friendly Fires, respectivamente.

Atrações do Lollapalooza desembarcam no Rio através do Queremos (créditos: http://www.ihateflash.net)

Foster The People lota Circo Voador com platéia histérica

A quinta-feira não era dia de folga pra todo mundo. A Lapa morna e as poucas barracas denunciavam isso, mas o Circo Voador era uma exceção e tanto. O público mais habituado com os shows do Queremos foi pego de surpresa com uma fila imensa para a entrada na casa. No meu caso específico, foi a primeira vez que não consegui chegar na pista do Circo Voador por conta de um público tão grande que se antecipou na chegada da casa. E instantes antes do show uma pancada de chuva tomou conta do local e o show começou com uma parte considerável do público ainda na fila aguardando para entrar.

Um fato que comprometeu o show, pelo menos para quem ficou mais afastado, foi a falha em uma das saídas de som. No palco, Mark Foster, com sua típica voz mais fina, funcionando muito bem e sua turma cumpriam o que se propunha deles demonstrando muita energia, arrancando ovações (e alguns sutiãs) do público.

Aliás, é um paradigma curioso como o apelo dos integrantes dá um ar pop ao Foster The People, mas ao mesmo tempo a banda tenta falar com outro público. Mark Foster caprichou até demais na preparação para se interar com o público, falando de Cazuza e da importância do Circo Voador para o rock – informações irrelevantes pra maior parte do jovem público que estava no Circo Voador.

Depois do show e de toda a tietagem a percepção sobre a banda fica um pouco distorcida. As referências ao cultuado MGMT, por exemplo, vão pro espaço e parecem sem sentido. Injustamente.

Tenham certeza que o Circo Voador foi palco de uma concorridíssima cerimônia de casamento entre o pop e o alternativo. O quer que isso signifique.

Circo Voador lotado para o Foster The People

Pista do Circo Voador lotada (www.ihateflash.net)

Thievery Corporation bota o Circo Voador para dançar em seu próprio mini-festival

Em completo contraste, o público da noite de Quinta-Feira para o Thievery Corporation era mais velho e desencanado. As pessoas socializavam na área ao ar livre do Circo Voador ao invés de galgar seu espaço no palco – curiosamente, enquanto eu ia para a beira do palco dar uma olhada nos instrumentos com toda a tranquilidade, as luzes se apagaram para o começo do show. Preferi dar uns passos para trás, não sou do gargarejo. Por outro lado, o público acabou sendo algo morno em comparação ao habitual dos shows que rolam no Circo Voador.

O show do Thievery Corporation chama a atenção em vários aspectos. Uma banda com bateria e uma percussão paralela, além do mentor do projeto, Rob Garza, nas pick-ups, uma dupla de instrumentos de sopro passando por um impressionante total de 6 vocalistas se alternando durante a apresentação do show, um festival dentro de um show, praticamente. E no meio disso tudo, o palco ainda contava com um sofá, e nele um sitar – instrumento de cordas de origem indiana – utilizado em algumas faixas, como Lebanese Blonde.

Um show riquíssimo, não só pelo grande aparato que o compunha, mas também pela variedade de sons presentes. Em duas horas de show foi possível transitar por reggae, dub, hip-hop e trip-hop com direito a excelentes passagens instrumentais. O público presente dançava de maneira leve como se não houvesse amanhã.

Prazer, sitar (www.ihateflash.net)

Friendly Fires: Ed McFarlane sua (e rasga) a camisa

(Vou passar longe das comparações com o show do Friendly Fires de 2009. Naquela ocasião eu estava do outro lado da rua vendo o Matanza, é…)

A surpresa geral foi com a quantidade de público. Muita gente esteve presente, mas não chegou ao impressionante nível do Foster The People. Fato que decepcionou muita gente, a julgar o lugar já consolidado do Friendly Fires frente ao hype da banda que se apresentou na quarta-feira.

No palco, Ed McFarlane não poupou suas dancinhas que parecem ter vindo da escola Lotus Flower capitaneada por Thom Yorke. Brincadeiras a parte, elas ajudaram a empolgar o público como se não bastasse o próprio repertório do Friendly Fires.

O efeito Pala do flerte da banda com o pop fica claro na mixagem. A guitarra faz mera figuração. Mesmo nas músicas do primeiro álbum, a diferença é gritante, no que parece a tendência do indie atual de a guitarra ser a nova cozinha. Por outro lado, os instrumentos de sopro, bem valorizados, ajudaram a dar uma grandiosidade muito bem vinda para o som.

O desapontamento com o público abaixo do esperado foi varrido na energia de McFarlane que ainda brindou a turma do gargalo com um passeio no meio do público, que lhe rendeu um rasgo nas costas da camisa. E o show teve um fechamento incrível com uma versão “velocidade 5” de Kiss For Life.