arquivo

Arquivo mensal: maio 2012

Saiu uma prévia do filme ‘Rush’ que vai contar a história do campeonato de 1976 da Fórmula 1 – o duelo entre o cerebral Niki Lauda e o doidão James Hunt.

Parece animador o filme.

Anúncios

Além de James Blake e Mogwai, o Circo voador recebeu Chromeo e Little Dragon em mais uma mobilização do Queremos. Desta vez, aproveitando o ensejo do Sónar.

Reconheço não ter muito o que falar do show de Chromeo no Sábado (12) e Little Dragon, o primeiro do Domingo (13). O primeiro foi bem divertido, dançante, num grande alto astral. No máximo as subidas de tom do gordinho P-Thugg com seu microfone com cara de sugador de consultório dentário que me chamaram a atenção enquanto dançava. Quanto o Little Dragon, algumas passagens mais doidas sustentadas por um baterista ensandecido até me chamaram a atenção. No mais, me soou um pop insosso demais, mas fica o respeito por uma apresentação bem feita.

James Blake: Cultuando o silêncio

Domingo, frio, chuva, dia das mães, e o que mais vier da sua imaginação serviu de pretexto para deixar muita gente em casa e perder o show de um dos artistas mais elogiados de 2011.

Eu temia bocejar com o minimalismo do Blake, mas fui surpreendido. Subwoofers foram colocados na pista do Circo Voador a pedido do próprio James Blake. O resultado é um show muito diferente, de certa forma exótico, com uma dimensão sensorial, não só na audição mas no aspecto tátil.

Graves poderosos chegando ao corpo, samples ao vivo, vocoder criando falsete ou uma voz bem bizarra. Definitivamente um show muito diferente, onde a interação público-artista foi muito beneficiada pela noção da necessidade de silêncio das poucas testemunhas que ali viajavam. Ainda que algumas vezes os pedidos de silêncio fossem tantos que todo mundo caía no riso. Cariocagem até em momentos tão soturnos.

“Limit To Your Love”, cover da Feist, é o ápice dessa dimensão sensorial do show: a batida grave demora a chegar enquanto Blake mostra sua voz, mas quando chega, é como uma pancada por dentro da cabeça. Tão impressionante que arrancou suspiros da platéia. O outro destaque vai para CMYK, onde outro ponto forte do show do Blake fica evidente: as músicas são rearranjadas para as apresentações e isso torna o show ainda mais imperdível.

Mogwai: Cultuando o barulho

Muita gente pediu show do James Blake toda semana. No caso do Mogwai isso definitivamente não é uma boa idéia.

A última apresentação do Mogwai no Rio foi a 10 anos, quando de acordo com a lenda o barulho do exército de guitarras da turma de Glasgow fez até o reboco do Armazém do Cais do Porto cair. Some isso à raridade de apresentações de bandas de post-rock pela América do Sul e temos aí um forte componente de ansiedade no show.

Em contraste com a ansiedade do público, o show começou com as tranquilas “White Noise” e “Stanley Kubrick”. Com “Rano Pano” as guitarras começaram a rosnar como um prenúncio do barulho que todo mundo esperava.

O culto ao ‘noise’ tem seu preço: em “I’m Jim Morrison, I’m Dead” as guitarras simplesmente engoliram o teclado no clímax da música. Por outro lado, “How to be a Werewolf” ficou insossa sem o seu impressionante crescendo ao vivo. Sim, podia ter sido mais barulhento.

Em “Fear Satan” o grande momento do show, alguns minutos de tranquilidade – atrapalhada por conversas e alguns gritos de mais eufóricos – abrindo caminho para uma tempestade de guitarras de deixar o público atônito. Enquanto toneladas de barulho eram despejadas, tinha gente comemorando como se fosse um gol em final de campeonato.

Mogwai está longe de ser uma banda de fácil assimilação. A associação com o indie chega a ser meio enganosa. A estética diferente dos escoceses em relação a uma banda média com guitarras faz do som bem mais interessante do que algo pra um nicho qualquer. Aliás, minhas conversas na porta do Circo Voador transitavam do shoegaze até o black metal. O show em si tem seu valor por ser uma experiência além do ato de escutar música: mesmo não querendo, aquela enxurrada de guitarras força uma viagem transcenental. Bem a idéia do ‘serious guitar music’, definição do cabeça da banda, Stuart Braithwaite, para o que ele queria com o Mogwai, e consegue muito bem.