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Saiu uma prévia do filme ‘Rush’ que vai contar a história do campeonato de 1976 da Fórmula 1 – o duelo entre o cerebral Niki Lauda e o doidão James Hunt.

Parece animador o filme.

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Além de James Blake e Mogwai, o Circo voador recebeu Chromeo e Little Dragon em mais uma mobilização do Queremos. Desta vez, aproveitando o ensejo do Sónar.

Reconheço não ter muito o que falar do show de Chromeo no Sábado (12) e Little Dragon, o primeiro do Domingo (13). O primeiro foi bem divertido, dançante, num grande alto astral. No máximo as subidas de tom do gordinho P-Thugg com seu microfone com cara de sugador de consultório dentário que me chamaram a atenção enquanto dançava. Quanto o Little Dragon, algumas passagens mais doidas sustentadas por um baterista ensandecido até me chamaram a atenção. No mais, me soou um pop insosso demais, mas fica o respeito por uma apresentação bem feita.

James Blake: Cultuando o silêncio

Domingo, frio, chuva, dia das mães, e o que mais vier da sua imaginação serviu de pretexto para deixar muita gente em casa e perder o show de um dos artistas mais elogiados de 2011.

Eu temia bocejar com o minimalismo do Blake, mas fui surpreendido. Subwoofers foram colocados na pista do Circo Voador a pedido do próprio James Blake. O resultado é um show muito diferente, de certa forma exótico, com uma dimensão sensorial, não só na audição mas no aspecto tátil.

Graves poderosos chegando ao corpo, samples ao vivo, vocoder criando falsete ou uma voz bem bizarra. Definitivamente um show muito diferente, onde a interação público-artista foi muito beneficiada pela noção da necessidade de silêncio das poucas testemunhas que ali viajavam. Ainda que algumas vezes os pedidos de silêncio fossem tantos que todo mundo caía no riso. Cariocagem até em momentos tão soturnos.

“Limit To Your Love”, cover da Feist, é o ápice dessa dimensão sensorial do show: a batida grave demora a chegar enquanto Blake mostra sua voz, mas quando chega, é como uma pancada por dentro da cabeça. Tão impressionante que arrancou suspiros da platéia. O outro destaque vai para CMYK, onde outro ponto forte do show do Blake fica evidente: as músicas são rearranjadas para as apresentações e isso torna o show ainda mais imperdível.

Mogwai: Cultuando o barulho

Muita gente pediu show do James Blake toda semana. No caso do Mogwai isso definitivamente não é uma boa idéia.

A última apresentação do Mogwai no Rio foi a 10 anos, quando de acordo com a lenda o barulho do exército de guitarras da turma de Glasgow fez até o reboco do Armazém do Cais do Porto cair. Some isso à raridade de apresentações de bandas de post-rock pela América do Sul e temos aí um forte componente de ansiedade no show.

Em contraste com a ansiedade do público, o show começou com as tranquilas “White Noise” e “Stanley Kubrick”. Com “Rano Pano” as guitarras começaram a rosnar como um prenúncio do barulho que todo mundo esperava.

O culto ao ‘noise’ tem seu preço: em “I’m Jim Morrison, I’m Dead” as guitarras simplesmente engoliram o teclado no clímax da música. Por outro lado, “How to be a Werewolf” ficou insossa sem o seu impressionante crescendo ao vivo. Sim, podia ter sido mais barulhento.

Em “Fear Satan” o grande momento do show, alguns minutos de tranquilidade – atrapalhada por conversas e alguns gritos de mais eufóricos – abrindo caminho para uma tempestade de guitarras de deixar o público atônito. Enquanto toneladas de barulho eram despejadas, tinha gente comemorando como se fosse um gol em final de campeonato.

Mogwai está longe de ser uma banda de fácil assimilação. A associação com o indie chega a ser meio enganosa. A estética diferente dos escoceses em relação a uma banda média com guitarras faz do som bem mais interessante do que algo pra um nicho qualquer. Aliás, minhas conversas na porta do Circo Voador transitavam do shoegaze até o black metal. O show em si tem seu valor por ser uma experiência além do ato de escutar música: mesmo não querendo, aquela enxurrada de guitarras força uma viagem transcenental. Bem a idéia do ‘serious guitar music’, definição do cabeça da banda, Stuart Braithwaite, para o que ele queria com o Mogwai, e consegue muito bem.

Depois de um longo inver… verão, o blog dá um alô. Além de pedir desculpas e agradecer aos seguidores que esperaram por algum conteúdo nos últimos tempos.

O Lollapalooza come solto com Dave Grohl e uma péssima voz delirando o público além de outras atrações, mas antes algumas delas aportaram em terras cariocas: mais precisamente Foster The People, Thievery Corporation e Friendly Fires, respectivamente.

Atrações do Lollapalooza desembarcam no Rio através do Queremos (créditos: http://www.ihateflash.net)

Foster The People lota Circo Voador com platéia histérica

A quinta-feira não era dia de folga pra todo mundo. A Lapa morna e as poucas barracas denunciavam isso, mas o Circo Voador era uma exceção e tanto. O público mais habituado com os shows do Queremos foi pego de surpresa com uma fila imensa para a entrada na casa. No meu caso específico, foi a primeira vez que não consegui chegar na pista do Circo Voador por conta de um público tão grande que se antecipou na chegada da casa. E instantes antes do show uma pancada de chuva tomou conta do local e o show começou com uma parte considerável do público ainda na fila aguardando para entrar.

Um fato que comprometeu o show, pelo menos para quem ficou mais afastado, foi a falha em uma das saídas de som. No palco, Mark Foster, com sua típica voz mais fina, funcionando muito bem e sua turma cumpriam o que se propunha deles demonstrando muita energia, arrancando ovações (e alguns sutiãs) do público.

Aliás, é um paradigma curioso como o apelo dos integrantes dá um ar pop ao Foster The People, mas ao mesmo tempo a banda tenta falar com outro público. Mark Foster caprichou até demais na preparação para se interar com o público, falando de Cazuza e da importância do Circo Voador para o rock – informações irrelevantes pra maior parte do jovem público que estava no Circo Voador.

Depois do show e de toda a tietagem a percepção sobre a banda fica um pouco distorcida. As referências ao cultuado MGMT, por exemplo, vão pro espaço e parecem sem sentido. Injustamente.

Tenham certeza que o Circo Voador foi palco de uma concorridíssima cerimônia de casamento entre o pop e o alternativo. O quer que isso signifique.

Circo Voador lotado para o Foster The People

Pista do Circo Voador lotada (www.ihateflash.net)

Thievery Corporation bota o Circo Voador para dançar em seu próprio mini-festival

Em completo contraste, o público da noite de Quinta-Feira para o Thievery Corporation era mais velho e desencanado. As pessoas socializavam na área ao ar livre do Circo Voador ao invés de galgar seu espaço no palco – curiosamente, enquanto eu ia para a beira do palco dar uma olhada nos instrumentos com toda a tranquilidade, as luzes se apagaram para o começo do show. Preferi dar uns passos para trás, não sou do gargarejo. Por outro lado, o público acabou sendo algo morno em comparação ao habitual dos shows que rolam no Circo Voador.

O show do Thievery Corporation chama a atenção em vários aspectos. Uma banda com bateria e uma percussão paralela, além do mentor do projeto, Rob Garza, nas pick-ups, uma dupla de instrumentos de sopro passando por um impressionante total de 6 vocalistas se alternando durante a apresentação do show, um festival dentro de um show, praticamente. E no meio disso tudo, o palco ainda contava com um sofá, e nele um sitar – instrumento de cordas de origem indiana – utilizado em algumas faixas, como Lebanese Blonde.

Um show riquíssimo, não só pelo grande aparato que o compunha, mas também pela variedade de sons presentes. Em duas horas de show foi possível transitar por reggae, dub, hip-hop e trip-hop com direito a excelentes passagens instrumentais. O público presente dançava de maneira leve como se não houvesse amanhã.

Prazer, sitar (www.ihateflash.net)

Friendly Fires: Ed McFarlane sua (e rasga) a camisa

(Vou passar longe das comparações com o show do Friendly Fires de 2009. Naquela ocasião eu estava do outro lado da rua vendo o Matanza, é…)

A surpresa geral foi com a quantidade de público. Muita gente esteve presente, mas não chegou ao impressionante nível do Foster The People. Fato que decepcionou muita gente, a julgar o lugar já consolidado do Friendly Fires frente ao hype da banda que se apresentou na quarta-feira.

No palco, Ed McFarlane não poupou suas dancinhas que parecem ter vindo da escola Lotus Flower capitaneada por Thom Yorke. Brincadeiras a parte, elas ajudaram a empolgar o público como se não bastasse o próprio repertório do Friendly Fires.

O efeito Pala do flerte da banda com o pop fica claro na mixagem. A guitarra faz mera figuração. Mesmo nas músicas do primeiro álbum, a diferença é gritante, no que parece a tendência do indie atual de a guitarra ser a nova cozinha. Por outro lado, os instrumentos de sopro, bem valorizados, ajudaram a dar uma grandiosidade muito bem vinda para o som.

O desapontamento com o público abaixo do esperado foi varrido na energia de McFarlane que ainda brindou a turma do gargalo com um passeio no meio do público, que lhe rendeu um rasgo nas costas da camisa. E o show teve um fechamento incrível com uma versão “velocidade 5” de Kiss For Life.

A Anatel revelou que em Dezembro a Oi solicitou que as metas de qualidade de banda larga (mínimo de velocidade de conexão mantida para o usuário: no momento imediato e média mensal. por exemplo) fossem relaxadas.

A Anatel abriu a questão para consulta pública. Basta mandar um e-mail para a Anatel –  spv@anatel.gov.br – e eu sugiro que você se posicione contrariamente a tal idéia, a menos que você queria se irritar muito com o seu serviço de internet.

Pela primeira vez o Queremos contou com uma convidada indesejada. A inédita chuva certamente afastou uma galera do show da última sexta-feira e ainda espremeu a social dos mais bravos para as marquizes dos bares e para a pista.

No show do The Rapture, chama a atenção a clareza e até uma certa simplicidade que combinam bem com o som direto da banda. Nenhuma caracterização muito grande no palco e um som com uma cozinha muito valorizada, mesmo que os cozinheiros não estivessem dispostos a sair do feijão com arroz. A bateria se sobressaltava ainda mais com caixa e bumbo tão altos que chegavam a parecer samples – incômodo se formos discutir a filosofia do som, muito bom pra chamar pra dançar e curtir o som.

Um setlist aparentemente bem pensado para ir chamando o público pouco a pouco conforme crescia e a galera afiadíssima, especialmente no combo “Whoo! Alright…” e “House of Jealous Lovers” quando o público já começou a puxar o coro do maior hit da banda nas primeiras batidas.

O show passou rápido, ficou a sensação de que poderia ter sido mais longo, havido algo a mais, mas isso não derruba a boa impressão sobre a apresentação.

E ainda como brinde para os que ignoraram a chuva, o cosplay de Jesus Cristo, Breakbot, deixou a pista do Circo cheia de gente curtindo seu set até as 4 da manhã.